A Justiça de São Paulo decidiu suspender, de forma provisória, o programa da Prefeitura de Urupês que oferecia tirzepatida manipulada para pacientes com obesidade atendidos pelo SUS. A determinação surge após uma ação da Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, que questiona a legalidade do uso de medicamentos preparados em farmácias de manipulação, alegando que o município não seguia as normas da Anvisa.
Desde seu lançamento em fevereiro, o programa, que ficou conhecido como “Bolsa Mounjaro”, visava atender pacientes em situação de vulnerabilidade social que aguardavam cirurgia bariátrica. Inicialmente, a prefeitura planejava atender 200 pessoas, mas a demanda fez esse número crescer para 400. É importante destacar que a tirzepatida, embora presente em injeções manipuladas, é o mesmo princípio ativo do Mounjaro, que é vendido em caneta e custa cerca de R$ 1,5 mil, enquanto a versão manipulada saía por aproximadamente R$ 900.
A prefeitura recorreu contra a decisão judicial, ressaltando que a interrupção do programa pode afetar diretamente a assistência a esses pacientes. Contudo, a Justiça entendeu que a compra e a distribuição do medicamento não estavam sendo feitas de acordo com as diretrizes da Anvisa, que exige a manipulação individualizada e com justificativas técnicas específicas.
O município, que foi pioneiro na oferta da tirzepatida pelo SUS, agora enfrenta um cenário complicado. Com o programa suspenso, muitos pacientes ficam sem saber qual será o futuro do seu tratamento. A administração municipal defende que a interrupção do programa penaliza aqueles que mais precisam, e que a questão vai além do legal: trata-se de garantir acesso à saúde.
Enquanto isso, a Eli Lilly afirma que a decisão da Justiça é um passo importante para a proteção dos pacientes e a manutenção das normas sanitárias. A empresa alerta que a manipulação em larga escala do medicamento, como feito em Urupês, traz riscos à saúde dos usuários.
O impacto dessa situação é preocupante, especialmente para os pacientes que dependem desse tratamento para melhorar sua qualidade de vida. A prefeitura, por sua vez, continua a buscar soluções para garantir que a assistência não seja interrompida, defendendo que a saúde deve ser um direito acessível a todos, independentemente de sua condição financeira.
Crédito da imagem: Prefeitura de Urupês aplica doses de Mounjaro


