Em Jundiaí, um resíduo que antes era descartado, o bagaço de cana-de-açúcar, está se transformando em um aliado valioso na luta pela limpeza das águas da cidade. O material, gerado em feiras livres e usinas da região, agora desempenha um papel crucial no tratamento de esgoto, ajudando a eliminar gorduras e óleos que comprometem a qualidade da água antes que ela chegue aos córregos locais.
Paulo Takashi, um dos vendedores nas feiras, produz cerca de 50 quilos de bagaço a cada evento, e esse resíduo se tornou parte de uma iniciativa que visa melhorar a eficiência do sistema de saneamento. O projeto, que já utiliza aproximadamente 30 toneladas de bagaço anualmente, é uma solução inteligente que demonstra como a reutilização de materiais pode trazer benefícios ambientais significativos.
O esgoto coletado em Jundiaí passa por um tratamento em lagoas, mas, para isso, enfrenta um desafio: a grande quantidade de gorduras e óleos jogados inadequadamente. A introdução do bagaço de cana nesse processo de separação tem se mostrado eficaz, atuando como uma esponja que ajuda a formar uma camada de gordura na superfície da água. David Monteiro, coordenador de operação, ressalta que essa camada facilita a remoção dos resíduos indesejados.
Os resultados são impressionantes. Em 2025, foram retiradas 250 toneladas de gordura acumulada, e apenas no primeiro semestre de 2026, mais 100 toneladas foram removidas. Após esse processo, o bagaço utilizado não é simplesmente descartado; ele é transformado em adubo, contribuindo para a produção de alimentos na Casa da Fonte, uma ONG que atende mais de 200 crianças em Jundiaí.
Ivanilde da Silva Anjo, responsável pela horta da instituição, destaca como o adubo feito com o bagaço de cana é essencial para cultivar frutas e verduras frescas que alimentam as crianças atendidas pelo projeto. Essa iniciativa não apenas melhora o tratamento de esgoto da cidade, mas também promove a educação e a saúde alimentar entre os jovens jundiaienses.
Crédito da imagem: TV TEM



