Em Votuporanga, no interior paulista, um morador transformou sua experiência de superação em um projeto de amor e solidariedade. Aldo Hayrton Dezan, de 58 anos, dedicou-se nos últimos 18 anos à palhaçaria hospitalar, movido pelo desejo de levar alegria a quem enfrenta momentos difíceis. Sua trajetória começou após um longo tratamento contra tendinite aguda em São Paulo, que o fez perceber a importância do apoio emocional em ambientes hospitalares.
Aldo sempre foi sensível às dores alheias, especialmente depois de vivenciar a sua própria jornada de saúde. A inspiração para se tornar palhaço foi despertada ao acompanhar a atuação de sua irmã, Daniela, que coordenava um grupo de palhaços em hospitais da capital. “Essa experiência me tornou mais sensível para compreender o sofrimento de quem está hospitalizado”, conta ele, refletindo sobre como essa vivência o levou a querer ajudar outros.
Após retornar a Votuporanga em 2008, Aldo se uniu a um grupo local de palhaçaria que leva sorrisos a pacientes internados em hospitais da região. O projeto, chamado Clown Zero, já conquistou corações e sorrisos, transformando a rotina hospitalar em momentos de leveza e alegria. “Nosso trabalho acontece principalmente por meio do improviso, utilizando música, mímica, mágicas e brincadeiras”, explica Aldo, que agora coordena a equipe de voluntários.
A iniciativa é viabilizada por meio da Lei de Incentivo à Cultura, que garante recursos para figurinos, maquiagem e deslocamento da equipe, permitindo que os hospitais beneficiados não precisem arcar com custos. Com essa estrutura, o grupo consegue proporcionar um atendimento que respeita a rotina e as orientações das equipes de saúde, sempre buscando criar uma conexão com os pacientes.
Aldo também é arteterapeuta e ministra aulas para crianças em situação de vulnerabilidade, ampliando seu impacto social. Seu trabalho abrange não apenas Votuporanga, mas também São José do Rio Preto, onde atua em um dos maiores complexos hospitalares do Brasil. A equipe visita regularmente os hospitais e participa de campanhas internas, sempre com o objetivo de trazer alívio emocional aos pacientes.
“O que me motiva é o amor pelo que faço e a certeza de que a arte pode fazer diferença na vida das pessoas”, afirma Aldo, que já passou por momentos de incerteza e sabe como é importante ter apoio. Para ele, a palhaçaria hospitalar não é apenas uma atividade, mas uma parte fundamental de sua vida, e ele não tem planos de parar. “Depois de tantos anos, continuo motivado a estudar e ampliar esse trabalho”, conclui.
A psicóloga Eliane Prates Nogueira, de São José do Rio Preto, reforça a importância dessa iniciativa. Segundo ela, o humor e as experiências agradáveis ajudam a aliviar a tensão emocional dos pacientes, permitindo que eles sintam outras emoções que vão além do sofrimento. “Rir não significa ignorar a gravidade da doença, mas sim reconhecer que o paciente ainda é uma pessoa com desejos e possibilidades”, finaliza Eliane, destacando o valor das interações humanas em momentos de fragilidade.


