Na noite de domingo (25), Guaraçaí, uma cidade pacata no interior de São Paulo, foi palco de uma cena de violência durante as comemorações pela reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. O comerciário João Guilherme da Silva Ribeiro, de apenas 20 anos, foi agredido por um grupo de pessoas vestidas com as cores da bandeira nacional enquanto tentava aproveitar a festa na Praça Manoel Rodrigues Marques Neto.
Segundo relato do jovem à polícia, a confusão começou quando ele tentou usar um banheiro público e foi hostilizado. Após conseguir usar o sanitário, foi alvo de ofensas homofóbicas por parte do grupo, que o chamava de “gay”, “bicha” e “veado”. Ao sair do local, João foi surpreendido pelas costas e atacado, recebendo um golpe na cabeça de um objeto cortante, mas não conseguiu identificar o agressor.
Imagens registradas por testemunhas mostram a brutalidade da agressão, com alguns dos suspeitos utilizando camisetas da seleção brasileira. “Os agressores começaram a desferir socos como um soco inglês e até morderam partes do meu corpo. Foi um momento aterrorizante”, contou João, que foi socorrido por amigos e familiares após a briga se espalhar pela praça, enquanto os policiais presentes não intervieram.
Após a agressão, o jovem precisou de quatro pontos na cabeça e foi encaminhado ao hospital municipal. Em sua declaração à polícia, João revelou ser homossexual e eleitor de Lula, e afirmou que os ataques foram organizados por meio de um grupo em um aplicativo de mensagens, onde os suspeitos trocaram ofensas e planejamentos. “As mensagens deixaram claro que eles estavam determinados a me agredir”, explicou.
A Polícia Civil registrou o caso como lesão corporal e difamação, e as investigações continuam. João se comprometeu a fornecer evidências para ajudar na apuração do caso, que expõe não apenas a violência, mas também um clima de intolerância que ainda permeia a sociedade.
Crédito da imagem: Jovem é espancado por grupo em praça após vitória de Lula


