Hoje, a cidade de Catanduva (SP) se prepara para um momento delicado na história da sua Diocese. O ex-bispo Valdir Mamede será julgado a partir das 13h30, em uma audiência realizada por videoconferência, onde enfrentará acusações sérias de abuso sexual contra um padre que duraram de 2019 a 2023. Este julgamento é uma etapa crucial do processo, onde a vítima e testemunhas prestarão depoimentos, enquanto o réu terá a chance de se defender.
A denúncia do Ministério Público revela um padrão alarmante de comportamentos inaceitáveis, onde Dom Valdir, em sua posição de autoridade, teria explorado a vulnerabilidade do padre para cometer atos libidinosos sem consentimento. A acusação afirma que os abusos ocorreram tanto na Residência Episcopal quanto na Paróquia de São Sebastião, em Ibirá, onde o padre prestava seus serviços.
Segundo documentos do processo, a relação entre eles começou com a alegação de que o bispo precisava de cuidados pessoais, incluindo depilação corporal. Ao longo de cinco anos, o ex-bispo teria utilizado essa posição de poder para constranger a vítima, com ameaças sutis de punições religiosas, como transferências de paróquia. Além disso, há relatos de chamadas de vídeo nas quais ele se exibia nu e se masturbava, e um episódio em que praticou violência sexual contra o padre, que se sentiu totalmente impotente diante da situação.
O boletim de ocorrência foi registrado em março de 2024, e a denúncia formal do MP foi apresentada em abril do mesmo ano. O Ministério Público pede não apenas a condenação de Valdir Mamede por importunação sexual, mas também uma indenização de R$ 300 mil por danos morais, considerando os efeitos devastadores que as ações do ex-bispo tiveram sobre a saúde mental do padre, que agora se encontra afastado de suas funções na Igreja.
O caso, que tramita sob segredo de Justiça na 2ª Vara Criminal de Catanduva, traz à tona questões profundas sobre abuso de poder e a necessidade de proteção às vítimas dentro de instituições religiosas. Valdir Mamede, que renunciou ao cargo em novembro de 2023 sem explicar suas razões, agora se vê na posição de réu, enquanto a comunidade catanduvense aguarda ansiosamente o desfecho desse caso que abala a confiança na liderança da Igreja local.
Crédito da imagem: Bispo Dom Valdir Mamede renunciou ao cargo em Catanduva (SP)



